Atendimento médico inaceitável

A minha mãe tem 97 anos de idade, e mora na área de residência abrangida pelo Centro de Saúde de Sete Rios (CSSR). Ela sofre de colite ulcerosa e de doença Alzheimer. A médica neurologista que a acompanha prescreveu-lhe sessões de treino cognitivo, terapia ocupacional e treino de equilíbrio e marcha e reforço muscular (relatório em anexo), o que ela tem feito numa clínica de fisioterapia.
Recentemente a minha mãe teve dois episódios de dores intensas no pescoço e no pulso que a obrigaram a ir à urgência do Hospital de Santa Maria. Após exames e análises, os médicos da urgência que a observaram concluíram que as dores se deviam a problemas das vértebras do pescoço e artrose no pulso esquerdo.
De ambas as vezes da ida à urgência, os médicos inicialmente prescreveram à minha mãe analgésicos e anti-inflamatórios para tratamento das dores. Como a minha mãe sofre de colite ulcerosa, expliquei a ambos os médicos que a minha mãe não pode tomar esses medicamentos, sob pena de ter fortes hemorragias intestinais. Perante esta informação, ambos os médicos da urgência recomendaram sessões de fisioterapia para recuperação das zonas doridas.
Efetivamente, a minha mãe começou as sessões de fisioterapia para tratamento do pescoço a 5/11 e, uma semana depois, estava francamente melhor. Quando pedi ao médico fisiatra que que a minha mãe também fizesse tratamento ao pulso, fui informada que seria necessária uma credencial do médico de família do Centro de Saúde de Sete Rios para a minha mãe poder continuar as sessões de fisioterapia para treino cognitivo, tratamento do pescoço e pulso, através da ADSE.
No dia 20/11 dirigi-me, pessoalmente, ao CSSR para marcar uma consulta com a médica de família da minha mãe (não é possível fazê-lo por telefone, porque ninguém atende), tendo ficada marcada no dia 22.11.2018, às 14:00, e sendo a minha mãe a primeira doente da lista desse dia.
No dia 22.11.2018 estava pontualmente, às 14:00, à porta da sala 14 do CSSR, à espera da consulta. Às 14.15 entrou nessa sala a Dra Graça Almeida, e voltou a sair pouco depois. Como interrompi o meu trabalho para estar ali com a minha mãe àquela hora, interpelei-a para lhe perguntar se as consultas iriam começar em breve. Disse-me para esperar. Às 14:30 voltou a entrar na sala e, às 14:35, chamou a minha mãe.
Expliquei a situação da minha mãe: a doença de Alzheimer, as dores nas articulações, a limitação na toma de medicação oral devido à colite ulcerosa, a recomendação dos médicos do Hospital de Santa Maria para ela fazer fisioterapia; e, no final, pedi a credencial para ela poder continuar os tratamentos de fisioterapia.
A Dra Graça interrompeu-me, com veemência, para dizer que discordava totalmente dessas sessões de fisioterapia em pessoas com 97 anos de idade, porque podem fazer fraturas, que até podem ser expostas. Expliquei-lhe que as dores que a minha mãe tem são muito intensas, que ela não pode tomar analgésicos nem anti-inflamatórios devido à colite ulcerosa, e que as sessões de fisioterapia que ela tem feito para tratamento destas dores têm sido eficazes. A médica respondeu que jamais prescreveria esses tratamentos à minha mãe, e recomendou Ben-u-ron para as dores. Respondi que esse medicamento lhe agrava os sintomas da colite ulcerosa. A isto, A Dra Graça Almeida não deu qualquer solução.
Ainda argumentei que há muitos tipos de tratamentos locais de fisioterapia que não acarretam qualquer risco para os ossos (ultra-sons, calor, correntes, etc.) e que ela poderia prescrever apenas esses tratamentos à minha mãe: A médica respondeu que não confiava nos fisioterapeutas/fisiatras, nem para fazerem tratamentos locais a pessoas com 97 anos, pois poderiam fazer outros tratamentos para além dos prescritos que poderiam resultar em fraturas.
Perante esta irredutível posição da médica de família que, além de insólita, revela desrespeito e desconfiança pelos profissionais fisiatras/fisioterapeutas, concluí que era impossível dialogar com esta médica de família. De facto, segundo esta, não resta senão à minha mãe sofrer as dores dos ossos/articulações. Ou então tomar medicação que resultará em hemorragias intestinais, o que não pareceu incomodar a médica em questão.
No fim da consulta, a Dra Graça Almeida entregou-me um relatório assinado por ela, recomendando apenas sessões de treino cognitivo, terapia ocupacional e treino de equilíbrio de marcha para a minha mãe, contrariando o relatório da médica neurologista (segue a minha mãe desde 2011) no qual recomenda treinos de reforço muscular. Neste relatório não há qualquer referência ao tratamento das dores do pescoço e pulso da minha mãe, tendo sido, no entanto, este o motivo da consulta da minha mãe no CSSR.
Perante o episódio acima descrito, deixo aqui as seguintes questões:
– Como é que a minha mãe vai tratar as crises de dores de ossos/articulações de que padece, se não pode tomar analgésicos nem anti-inflamatórios, e a médica de família – Dra Graça Almeida – se recusa peremtoriamente a prescrever-lhe sessões de fisioterapia recomendadas por outros médicos, e que se têm revelado eficazes no tratamento das suas crises de dores dos ossos/articulações?
– A Dra Graça Almeida discorda da aplicação de tratamentos de fisioterapia de reforço muscular em pessoas de 97 anos de idade. Porém, todos médicos que observaram a minha mãe têm opinião diferente, o que é facilmente demonstrável. E não há qualquer evidência científica que demonstre que pessoas com 97 anos não podem fazer tratamentos de fisioterapia para reforço muscular. Trata-se, portanto, da mera opinião pessoal da Dra Graça Almeida. Assim sendo, a decisão da minha mãe fazer/não fazer sessões de fisioterapia para tratamento das dores das articulações cabe exclusivamente a esta médica de família que, para além de não ter dado qualquer solução para as dores da minha mãe, manifestou desrespeito e desconfiança irracional pelos profissionais médicos fisiatras/fisioterapeutas?
Face ao acima descrito, considero inaceitável o comportamento da médica em questão que, para além do já reportado, revelou falta de pontualidade, de empatia e profissionalismo. Lamentável.

Reclamação De: Maria Silva
Email: <teresasaraivsilva@gmail.com>
Nome da Empresa a quem esta reclamação se dirige: Centro de Saúde de Sete Rios


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